Em Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. (Colossenses 2:3)

Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por essas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.(Efésios5:6)
Digo isso a vocês para que não deixem que ninguém os engane com argumentos falsos. (Colossenses 2:4)

14 de outubro de 2017

O LIVRO DA VIDA




Por Douglas Elias 


Tentarei através desse breve e resumido texto falar sobre um assunto de interesse comum de todos os cristãos do mundo, o “Livro da Vida”. Quem de nós nunca ouviu falar desse tão temido (por aqueles que praticam a iniquidade) e tão amado (por aqueles que estão em Cristo) livro?
 
Segundo as Escrituras Sagradas, há no Céu a existência de alguns livros, e entre estes, um livro que contém o nome daqueles que serão salvos por Deus da destruição final por ocasião de sua volta, e que desfrutarão de uma vida plena e eterna de felicidades ao seu lado, no tão sonhado paraíso, a saber, o Livro da Vida. Todos os cristãos sinceros acreditam ter seus nomes escritos por Deus neste Livro, desde que segundo eles, continuem a serví-lo e obedecê-lo em sinceridade de coração. Caso contrário, poderão ter seus nomes apagados por Deus sem misericórdia nenhuma.

É bastante comum, principalmente nas igrejas pentecostais e neopentecostais vermos e ouvirmos pregadores em suas orações pelos arrependidos, que após a Palavra no culto desejam retornar aos braços do Pai eterno, o pedido de que Ele [Deus] receba essas pessoas e que “ESCREVA” (no caso de pessoas que nunca foram cristãs) ou “REESCREVA” (no caso das pessoas que já foram) seus nomes no Livro da Vida.

Mas, será que a Bíblia realmente ensina que Deus apaga o nome das pessoas que se desviam de seu caminho do Livro da Vida ou acrescenta o nome daqueles que são convertidos no decorrer da história? Vamos analisar o texto principal usado por aqueles que defendem esta posição:
“Agora, portanto, eu rogo a tua misericórdia para que lhe perdoes o pecado; caso contrário, risca-me, rogo-te, do teu livro sagrado que escreveste!” Êxodo 32:33
Alguns se apropriam desse texto para defender a ideia de que Deus possa alterar esse Livro sempre que necessário, uma vez durante essa vida, o tempo todo, pessoas se convertem ou deixam de seguir o Evangelho. Segundo estes, o próprio Moisés assegurou e reivindicou tal pregorrativa, quando pediu a Deus que riscasse o seu nome do livro da vida, enquanto guiava o povo de Israel à terra prometida.

Na verdade, devemos antes de qualquer coisa fazer uma análise do versículo, considerando o contexto em que tal pedido ocorre. No começo desse capítulo temos a descrição bíblica de que os israelitas haviam se precipitado devido a demora de Moisés no monte Sinai e construído um bezerro de ouro para adorar e servir, considerando que ele já estava morto. Após o retorno de Moisés, uma parte do povo se arrepende, enquanto os idólatras que se recusam, são mortos a espada. No dia seguinte, Moisés preocupado com as consequência dessa atitude do povo, roga a Deus que perdoe o povo ou então que risque o seu nome do livro que tinha escrito.

Quando observamos a história toda, fica perfeitamente simples compreender o pedido do patriarca Moisés, rogando a Deus que perdoe o pecado do povo ou que o mate no lugar deles. Suas palavras eram na verdade as de alguém que tinha um amor tão verdadeiro por aquelas pessoas e que preferia morrer, se preciso fosse, no lugar deles ao vê-los ser destruídos pelo Senhor.

A Bíblia de Estudo John MacArthur apresenta o seguinte comentário a respeito do episódio:
“Risca-me… do livro que escreveste”.
Nada marcou mais fortemente o amor de Moisés pelo seu povo do que a sua sincera vontade de oferecer a própria vida em vez de vê-los deserdados ou destruídos. O livro ao qual Moisés se referiu, o salmista intitulou de “livro dos vivos” (Sl 69:28). Ser riscado do livro significaria morte intempestiva ou prematura.

Qualquer um que leia os relatos bíblicos sobre a vida de Moisés poderá enxergar claramente esse sentimento de amor tão sublime e a preocupação tão forte que ele sentia pelo povo, isto, a ponto até mesmo de rejeitar a oportunidade oferecida por Deus, apelando para sua reputação, de ter uma nova linhagem começada por ele, conforme os relatos desse mesmo capítulo.

A resposta de Deus ao pedido de Moisés de que Ele “riscasse seu nome do livro” não deixa dúvidas quanto a real intenção do profeta.
“Então disse o SENHOR a Moisés: Aquele que pecar contra mim, a este riscarei do meu livro. Assim feriu o SENHOR o povo, por ter sido feito o bezerro que Arão tinha formado.” Êxodo 32:33;35
Esses versículos são a prova incontestável para resolver a questão e provar que em momento algum passou pela cabeça de Moisés o desejo de que Deus tirasse seu nome do Livro da Vida, privando-o da salvação, mas na verdade, seu cuidado pelas ovelhas de Deus. Até porque esse tipo de oração vai diretamente contra a mensagem explícita revelada pelo Espírito Santo de Deus nas Sagradas Escrituras.

Até mesmo no meio teológico aqueles que têm diferentes posições em relação ao fator determinante na Eleição de Deus (se segundo a presciência divina ou se segundo a Sua livre vontade) concordam nesse aspecto, o Livro da Vida não pode ser alterado, pois ele foi escrito antes da fundação do mundo (Ap 13:8; 17:8). A Bíblia é clara e enfática ao negar a possibilidade de alguém ter seu nome escrito ou apagado do Livro da Vida, considerando que ele já foi escrito muito antes de nossa existência ou de qualquer coisa criada por Deus. Ninguém tem seu nome escrito no Livro da Vida no dia da sua conversão. Aqueles que realmente serão salvos por Deus tiveram seus nomes escritos no Livro absolutamente antes de suas conversões e não no momento dela.

A conversão é um processo que sucede a regeneração e que precede a santificação, tendo por resultado final a glorificação, e esta, foi contemplada por Deus no seu exaustivo conhecimento do universo. Há um elo inquebrável nesse processo, conforme o texto nos apresenta:
“Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.
E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou.” Romanos 8:29,30
Até porque, sejamos lógicos, se aceitarmos a ideia de que Deus precise alterar algo que ele já escreveu, apagando ou acrescentando para corrigir a história, teremos também que negar alguns de seus atributos divinos, tais como a sua presciência (capacidade prévia de saber o futuro), uma vez que ele não pôde prever qual pessoa se desviaria ao longo do percurso, ou então negamos a sua Soberania e governo sobre a história, levando juntamente consigo nessa ideia mais dois de seus atributos divinos, a onipotência e onisciência.
O próprio Jesus [Deus Filho], deixou completamente claro que de modo nenhum riscaria o nome daqueles que vencessem do Livro da Vida e prometeu confessá-los diante do Pai, conforme o texto de Apocalipse 3:5.
“O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos.”
A partir dessa verdade declarada por Jesus, a pergunta que fica aos que continuam a defender a ideia de que os nomes podem sim, serem apagados do Livro da Vida é: será que Jesus não sabia quando escreveu o Livro quais as pessoas que desistiram e quais prosseguiriam na fé até a morte?

Esclarecido os pontos, devemos rejeitar então esse tipo de oração, uma vez que ela não se enquadra nas Escrituras Sagradas, onde é mais do que claro, que o nosso Deus sabe exatamente o que faz e nunca se engana. Ele sabe de tudo plenamente (onisciente), tem todo poder absolutamente (onipotente) e conhece o futuro completamente (presciente), e um desvio ou conversão no decorrer da caminhada cristã não seriam suficientes para surpreendê-lo.

Ao contrário do que essa prática propõe, a Bíblia apresenta as seguintes descrições sobre aqueles que se perdem e que são seduzidos pelo pecado, como aqueles que nunca tiveram seus nomes escritos no Livro da Vida.
“Todos os habitantes da terra adorarão a besta, a saber, todos aqueles que não tiveram seus nomes escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a criação do mundo”. Apocalipse 13:8
“A besta que você viu, era e já não é. Ela está para subir do abismo e caminha para a perdição. Os habitantes da terra, cujos nomes não foram escritos no livro da vida desde a criação do mundo, ficarão admirados quando virem a besta, porque ela era, agora não é, e entretanto virá.” Apocalipse 17:8
Conclui-se portanto, a partir do testemunho bíblico que nenhuma pessoa que teve seu nome escrito no Livro da Vida irá para a perdição do inferno, pois Deus ao escrevê-lo, não se baseou no começo ou no meio da história, mas em toda ela.
Não há erro nos planos de Deus, Ele conhece o fim, desde o começo!


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Bíblia de Estudo MacArthur. Revista e atualizada, 2 ª edição. 1997


https://quaseteologa.wordpress.com/2016/06/09/o-livro-da-vida/


 

7 de outubro de 2017

Parem de judaizar a fé cristã!




Há uma verdade que precisamos nos recordar constantemente: “nada há de novo debaixo do sol” (Ec 1.9) – apesar de que as circunstâncias atuais não nos tem deixado esquecê-la. Esta verdade antiga deve estar cravada em nossas mentes de tal forma que nos lembremos dela em cada texto lido e em cada mensagem pregada, pois nos ajudará a combater as falsas doutrinas, que falsos mestres têm ensinado na Igreja de Deus. Ao olhar uma doutrina surgindo no meio da Igreja, saiba: “já sucedeu nos séculos passados, que foram antes de nós” (Ec 1.10).

O Diabo é sagaz. Desde o Éden ele age sempre da mesma maneira: deturpando a Palavra de Deus. A sua sagacidade, porém, não está em fazer sempre a mesma coisa; mas sim em dar uma embalagem nova às velhas mentiras. E a datar do nascimento da Igreja, há uma heresia terrível (dentre muitas outras) que, vez ou outra, resolve aparecer para nos assolar: a tentativa de judaização da Igreja. Esta é a mentira contada por Satanás, através de seus servos, de que precisamos resgatar os elementos cerimoniais do culto judeu do Antigo Testamento, prescrito na Lei de Moisés.

Já nos dias do Novo Testamento, o apóstolo Paulo lutou bravamente contra homens que insistiam em levar o culto veterotestamentário para dentro do seio da igreja cristã. Dentre muitas outras coisas, aqueles homens queriam estabelecer na igreja o calendário judaico, o cardápio deles e a circuncisão (Cl 2.11-16). Paulo sempre ergueu sua voz contra estes homens (Gl 2; Tt 1.10,11). Não há razão para restabelecer estas coisas na Igreja, pois elas mesmas são sombras daquelas que já vieram (Cl 2.17; cf. Hb 8.5; Hb. 10.1). Estes homens, o apóstolo conclui para Tito, afirmam conhecer a Deus, mas são abomináveis, desobedientes e réprobos em toda boa obra (Tt 1.16).

Os judaizantes, como são chamados os adeptos desta heresia, tentam sempre resgatar de alguma maneira os objetos de culto prescritos na Lei e introduzi-los no culto cristão. A arca da aliança, a pia de bronze, o incenso de ouro e o candelabro, por exemplo, são todos objetos do culto judaico que tais homens tentam reviver e trazer para a Igreja. Apesar da aparência de piedade, estas coisas são vazias de poder (2Tm 2.5). Paulo trata estes homens com muita firmeza, ordenando a Tito novamente que os repreendesse “severamente, para que sejam sãos na fé, não dando ouvidos a fábulas judaicas, nem a mandamentos de homens que se desviam da verdade” (Tt 1.14, ênfases acrescentadas).

O grande e verdadeiro objetivo dos judaizantes é sepultar a Nova Aliança, mesmo que isto seja totalmente reprovado pela Palavra de Deus – tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Isto se torna claro pelo fato de o Antigo Testamento clamar o tempo todo por uma nova aliança, superior àquela (Jr 31.31-34; Ez 36.22-30). Assim, a tentativa de reconstrução de um templo terreno ou a restauração do ofício de um sumo sacerdote em uma igreja dita cristã é realmente uma blasfêmia diante do Senhor. Uma análise mais profunda de todo o Novo Testamento nos permite perceber que estas ações são deturpações de homens insubordinados, faladores vãos, enganadores e cheios de torpe ganância (Tt 1.10,11).

No Antigo Testamento, uma vez por ano, o sumo sacerdote adentrava o Santo dos Santos, ou Santíssimo Lugar, para fazer expiação pelo pecado do povo (Lv 16.34). O Santo dos Santos ficava separado do restante do Templo por um espesso e alto véu (Lv 16.2,12,15). Dentro do Santíssimo Lugar, estava a Arca da Aliança, que representava a presença de Deus com o povo (Nm 10.33-36; cf. Hb 9.4). Já no Santo dos Santos, com o sangue de um novilho e de um bode sacrificado, o sumo sacerdote espargia o sangue sobre a tampa da Arca da Aliança, que se chamava propiciatório, para expiar os seus próprios pecados e os pecados que o povo cometera durante aquele ano (Lv 16. 6.14, 15, 16, 34).

Muitos séculos passaram desde a instituição destes sacrifícios. Milhares de animais haviam sido oferecidos no Templo como oferta pelos pecados do povo. Então, na plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, sob a Lei, para resgatar aqueles que viviam debaixo da Lei (Gl 4.4). Em outras palavras, Jesus veio para fazer aquilo que a antiga Lei não tinha poder para fazer: salvar pecadores (Hb 7.19; cf. Rm 3.20; Rm 7.7, Gl 3.23,24). Se a Lei tivesse poder para salvar pecadores e os sacrifícios de outrora fossem de fato eficazes não haveria a necessidade de Deus enviar Seu único Filho para nos salvar (Hb 7.11).

Na cruz, então, Jesus é o sumo sacerdote que oferece a si mesmo como oferta pelo pecado do povo. Ele é o sumo sacerdote que adentra o Santo dos Santos com seu próprio sangue, expiando os pecados do Seu povo de uma vez por todas (Hb 7.27). Não há mais necessidade de outro sumo sacerdote na Igreja, pois o sacrifício oferecido por Cristo é eterno em Seu poder. O véu do templo se rasgou de alto a baixo (Mt 27.51), simbolizando que aquele antigo sistema de sacrifícios perdera sua eficácia e que agora podemos nos achegar com confiança ao trono de Deus, sem a intercessão de nenhum outro homem, pois Jesus Cristo é o nosso grande sumo sacerdote (Hb 4.14, 16).

O autor aos Hebreus, aliás, é cirúrgico na sua explicação deste ofício para a Igreja. Ao longo de sua carta, ele faz uma correta conexão entre aquilo que é sombra e o seu cumprimento, entre o tipo e o seu antítipo (Hb 8.5; 10.1). Sua análise começa pela comparação do ofício sacerdotal da linhagem de Levi e o sacerdócio da ordem de Melquisedeque, que não tem princípio de dias, nem fim de vida, semelhante ao Filho de Deus (Hb 7.3). A conclusão óbvia que o autor da carta aos Hebreus chega é que o sacerdócio segundo Melquisedeque é infinitamente superior ao sacerdócio levítico (Hb 7.15,16,22). E Jesus, complementa o autor, é “sumo sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque” (Hb 7.17).

É evidente, então, que diante de tamanho sacrifício oferecido por Jesus, que é sumo sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedeque, “o mandamento anterior”, isto é, do sacerdócio levítico, “é ab-rogado por causa da sua fraqueza e inutilidade” (Hb 7.18), pois a antiga lei não aperfeiçoou a nada, mas o Filho é para sempre aperfeiçoado (Hb 7.19,28). Ademais, o autor tece mais uma comparação fatal ao antigo sistema de sacrifícios: um sumo sacerdote segundo a Lei tem seu sacerdócio limitado, pois a morte o impede de continuar; mas Aquele que não tem fim de dias tem seu sacerdócio perpetuamente e intercede por seu povo para sempre (Hb 7.23-25).

A nossa salvação, portanto, só está segura se o nosso sumo sacerdote vive para sempre, pois só assim Ele pode nos salvar perfeitamente, intercedendo diante de Deus (Hb 7.25). Qualquer sumo sacerdote eleito no meio da Igreja hoje não tem poder para interceder por nós, muito menos para nos salvar. Nenhum homem pode tomar este ofício hoje (1Tm 2.5). O nosso sumo sacerdote é Jesus Cristo “santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime que os céus” (Hb 7.26). Toda tentativa de representação de um sumo sacerdote hoje é querer viver pela Lei que foi ab-rogada devido à sua fraqueza e inutilidade.

A Igreja de Jesus tem “um sumo sacerdote tal, que se assentou nos céus à direita do trono da Majestade, ministro do santuário, e do verdadeiro Templo, que o Senhor fundou, e não o homem” (Hb 8.1,2). Só mesmo mentes diabólicas, como a dos judaizantes, tentariam anular o sumo sacerdócio de Alguém que está à direita do Pai no Templo celestial, a fim de instaurar o sumo sacerdócio de um pecador miserável aqui na Terra. Voltar a viver pela Antiga Aliança depois de tamanha revelação de Deus, adverte o autor da carta aos Hebreus, é crucificar novamente o Filho de Deus, expondo-O ao vitupério, e para estes já não há mais esperança (Hb 6.4-6).

“Porque se voluntariamente continuarmos no pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas uma expectação terrível de juízo, e um ardor de fogo que há de devorar os adversários” (Hb 10.26,27). Desprezar a Nova Aliança é pisar o Filho de Deus, e ter por profano o sangue do pacto e ultrajar o Espírito da graça. Em outras palavras, desprezar o sumo sacerdócio de Jesus é um pecado contra o Pai, que enviou a Jesus, contra Jesus, que morreu por nós, e contra o Espírito Santo (Hb 10.29). Certamente, tais pessoas não escaparão do juízo vindouro, pois Deus é vingador do mal e, por isso, “horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb 10.30,31).

A Igreja não pode se calar. Não podemos tratar tais coisas com leviandade. Diante de tal afronta a Deus, nossa obrigação como cristãos é levantar a nossa voz e denunciar tal blasfêmia. “E quando alguma pessoa pecar, ouvindo uma voz de blasfêmia, de que for testemunha, seja porque viu, ou porque soube, se o não denunciar, então levará a sua iniquidade” (Lv 5.1). Que Ele use esta denúncia para trazer arrependimento e quebrantamento sobre a Igreja Brasileira. Que Deus tenha misericórdia de nós!


https://doisdedosdeteologia.com.br/parem-de-judaizar-a-fe-crista/



6 de outubro de 2017

A Voz do Supremo Pastor


 


Salmo 23

É possível que Davi tenha escrito este Salmo quando já possuía uma idade avançada. Suas experiências lhe renderam uma simplicidade e lucidez quanto a presença constante de Deus ao longo de sua vida. É provável ainda que esse tempo de sua vida representasse o auge de seu reino, com abundância e fartura de todos os lados. Em tudo Davi havia experimentado a superabundante providência de Deus. Porém, neste Salmo ele demonstra uma confiança firme que olha além do que parecem ser “mimos” divinos. Mas mesmo que não fosse essa a sua condição, Davi expressa sua fé em Deus de maneira simples, porém profunda.

A paz que Davi desfruta não é uma fuga da realidade. O fato de expressar seu contentamento não significa que ele se tornou uma pessoa complacente. Na verdade, o crente Davi confessa uma disposição de enfrentar as trevas e os inimigos de sua alma por saber que Deus está com ele. O Salmo 23 revela um amor que não acha satisfação em nenhum alvo material: somente no próprio Senhor[i]
Ao dizer “o Senhor me pastoreia” Davi afirma um relacionamento. Declarar que Deus tem uma associação com o homem que ouve Sua voz e o segue. De fato, a permanência nessa relação depende em primeira instância da direção da voz dessa figura de Pastor que é Deus. Em segundo lugar depende da minha atitude de resolutamente ouvir e seguir.

É fora de questão que o diferencial na vida cristã é ouvir a voz de Deus. No salmo, a metáfora nos leva a reconhecermos que somos ovelhas e como tal, a coisa mais importante é discernir a voz de nosso Pastor e segui-lo. Isso significa que o essencial da nossa fé é o relacionamento constante com Deus. Por onde quer que passemos somos guiados pelo Senhor.

Se formos mais além e se entendemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus; daqueles que são chamados segundo o seu propósito (Rm. 8:28) seremos livres de grande cegueira e opressão das aflições da atual existência natural. Pois inclusive os cristãos experimentam dores, sofrimentos e perdas, carências e privações. Por isso estamos convictos de que precisamente também estas coisas não faltarão em nossas vidas.

A suficiência do crente não se restringe aos bens materiais concedidos por Deus para nossa satisfação – como usualmente declaramos a partir deste salmo; mas vai até o suprir de necessidades espirituais que o Senhor dispõe por meio de tribulações e coisas que ele retém de nós.

É precisamente pela falta desse discernimento que muitos cristãos não conseguem alcançar um nível de maturidade nesse relacionamento com Deus e não crescem na fé. Porque olham apenas para as coisas que podem receber e não também para as coisas que Deus nos tira, não nos dá. Ou ainda por coisas que julgamos indesejadas.

Quando precisam passar por um momento de menor abundância ou tribulação, perdem a voz do Pastor. Porque não entendem que o Senhor também não deixará faltar em nossas vidas a privação, a provação ou o sofrimento que nos aperfeiçoa na perseverança, a escassez que nos faz aprender a viver em contentamento e muitas outras disciplinas espirituais. Portanto, a bênção e a graça de Deus não devem ser vistas como limitadas às situações corriqueiras. Mas para muito além delas (Fp 4.11-13).

A abundância material pode nos ensinar a gratidão, o domínio próprio, a humildade e a generosidade ao invés da falsa segurança, da soberba e da indiferença (ver Pv 30.8b-9).

Como ovelhas, o caminho de Deus pode parecer incompreensível, difícil e a jornada longa. Mas o Senhor conhece o caminho, Ele é o Pastor. Ele sabe exatamente por onde nos conduzir para nos levar até a restauração de nossa alma (v. 3a) para tão-só confiarmos, ouvirmos e seguirmos a Sua voz.

Portanto, “guia-me pelas veredas da justiça” não se refere ao nosso caminhar, mas ao caminho pelo qual Deus nos conduz. Uma ovelha não tem performance diante de seu pastor. Como um animal indefeso e de visão curta, quando ela tenta fazer algo pelo próprio esforço ela se desvia e se perde. Da mesma maneira o cristão vive pela fé no Filho de Deus e pela condução do Espírito de Deus (Rm 8.14; Gl 5.25). O caminho da retidão é dele e ele nos guia. A justiça vista na manifestação da sua salvação, que ele o faz por amor de seu nome, também é dele (cf. Ez 36.22-32).

É por esse motivo que o bordão se faz necessário para colocar a ovelha de volta no caminho quando ela se desvia – seja tentando estabelecer seu próprio caminho seja deixando de ouvir a voz do pastor. Pois fora desse caminho a ovelha está entregue à própria sorte e à mercê do lobo.
  • Segurança
Ainda que passemos por momentos áridos, vales escuros e perigos, se realmente conhecemos a voz do nosso Pastor, quem ele é e o que faz por amor do seu nome, sempre teremos a certeza dita por Davi: “tu estás comigo”.

Davi exprime sua convicção de que o Senhor jamais deixará suas ovelhas desamparadas e perdidas. Ele, como pastor que fora, sabe muito bem que um verdadeiro pastor zela pelo seu título ao pastorear e proteger o rebanho. Deus pastoreia e guia os seus não meramente por nossa condição ou qualquer outro motivo, mas por quem ele é de fato. É exatamente por isso que todas as ovelhas do Senhor podem experimentar grande segurança. Ele é Pastor: está em sua essência o amor dispensado às suas criaturas.

O foco não está em nós. O fundamento dessa relação de fé reside no caráter de Deus, o qual em tudo o que faz é “por amor do seu nome” ou “por amor do seu título”. Por isso, ele sempre está presente. Mesmo em vales tenebrosos ali Deus está. A certeza de que nenhum temor tomará conta da sua vida demonstra a plena confiança que Davi tinha mesmo no abismo mais profundo, pois vê Deus conduzindo-o. Deus é seu porto seguro em qualquer situação.

Com o bordão o pastor afastava o que ameaçava a integridade da ovelha e com o cajado a puxava de volta ou usava de leves batidas para pô-la no caminho. O salmista poeticamente demonstra que Deus, como verdadeiro pastor de sua vida faz isso e pode experimentar o conforto que vem do caráter protetor de Deus.

O Bom Pastor, no entanto, nos escolta durante os momentos tenebrosos da vida e comumente a proteção pode vir em forma de disciplina. A disciplina do Senhor é que conduz ao arrependimento. O Senhor como Bom Pastor vai em busca da ovelha perdida e por ela se alegra. Esse conforto ou consolo pode advir após um período de tensão, tristeza ou arrependimento. A referência é à compaixão de Deus, não a do homem. Portanto, o consolo provém da compaixão de Deus acerca da nossa condição.

O Senhor Jesus ensinou sobre o arrependimento usando a figura do pastor que vai em busca da ovelha que se extraviou. As ovelhas perdidas são aquelas que precisam de arrependimento. No contexto, Jesus se referia aos publicanos e pecadores em contraste com os fariseus e mestres da lei que “não necessitavam de arrependimento”. Na verdade, eles rejeitavam a graça do arrependimento, pois não se consideravam perdidos, como os demais. Fazendo isso, eles ignoravam a bondade de Deus. Paulo afirmou que é a bondade de Deus que nos conduz ao arrependimento (Rm 2.4).
  • Salvação
As imagens de pastos, rio e vale – metáforas de uma relação entre o Guia e o crente (pastor e ovelha) – dão lugar às figuras de mesa, cálice e casa. Há a representação de uma figura do anfitrião e do hóspede. Nessa parte do Salmo a ameaça (inimigos) é convertida em triunfo. O Senhor transforma o mal em bem. O significado pode ser a confirmação de um vínculo de lealdade mútua, onde o ponto culminante é o sinal da aliança (cálice). O que nos leva a entender que os convidados não desfrutam apenas da festa, mas principalmente da presença do Anfitrião.

O preparar aqui usado geralmente designa “dispor em posição de combate”. Pôr em ordem uma ação militar. Mas o foco da palavra “mesa” não está no objeto em si, senão no que ela implica, isto é, o banquete ou refeição. Seu uso metafórico revela a provisão de Deus das necessidades humanas. Também é a mesa que designa o altar do sacrifício e os pães da proposição (presença). A palavra hebraica mesa é muito similar à palavra hebraica armas. Alguns estudiosos discutem se não seria essa a palavra pretendida nesse verso ao invés de mesa. Mas creio na inspiração plena da Palavra de Deus. E aceito que a palavra pretendida era mesmo mesa.

Isso pelo fato de entender que Deus não luta com as armas que poderíamos esperar. Davi sabia disso muito bem. Em todas as suas vitórias ele via a ação de Deus de maneira graciosa para com seu povo. Davi geralmente era assaltado pela inveja de seus inimigos quando Deus o fazia prosperar. Pois as suas vitórias eram consequência de obras inauditas. A sua primeira e mais notável vitória veio por uma ação que ninguém esperava. Davi derrotou um guerreiro gigante armado e protegido, com cinco pedras nas mãos. A força não vinha de suas armas (1 Sm 17.37,45). Em 2 Coríntios 10.4 Paulo afirma que as armas da nossa luta não são carnais, mas são poderosas em Deus.

Na Nova Aliança a mesa do Senhor (pão e vinho) designa juízo para aqueles que dela tomam sem discernir sua implicação, mas para os crentes significa comunhão no Corpo de Cristo. Pois foi pela metáfora da refeição que Cristo estabeleceu a Nova Aliança no seu sangue. O sacrifício do seu corpo e derramamento do seu sangue são para os discípulos de Jesus o meio de salvação. O cálice que o Senhor sorveu foi da ira de Deus. Para ele o juízo e condenação que eram nossos para que tenhamos paz com Deus (Rm 5.1, 10). Dessa forma, Deus reconciliou seus inimigos consigo em Jesus (2 Coríntios 5:19). As armas poderosas de Deus para destruir seus inimigos foram dirigidas para seu Filho, para que por meio dele recebêssemos paz (Ef 2.14-17).

Além de reis e sacerdotes, um hóspede bem recebido seria ungido com óleo. A unção com óleo simboliza pelo menos três principais coisas: A rica bênção de Deus; a prosperidade; a condição especial de quem desfruta do favor divino (óleo de alegria cf. Is 61.3; Sl 45.7).

Na maior parte dos usos que não são literais o cálice figura negativamente o julgamento de Deus. É o cálice da ira de Deus (Jr 25.15). Esse foi o cálice que Cristo sorveu no Getsêmane (Mt 26.39). Por que Cristo o tomou completamente, o cálice que agora oferece é de graça e bênção.

Afinal, bondade e misericórdia se relacionam em um mesmo sentido que é expresso na graça de Deus. Bondade significando o tipo de manifestação visível dessa graça em prosperidade nas coisas que são relativas a esta vida. Misericórdia pode ser entendida como a entrega livre de Deus nos concedendo bênção espiritual em Cristo, isto é, na condição de filhos da aliança e participantes da graça divina no relacionamento por meio de Jesus. Significa a fidelidade de Deus à sua aliança. Depois que o rebanho é chamado e caminha, o pastor vai atrás das ovelhas a fim de que as desviadas sejam postas de volta no caminho. Literalmente, Deus, como nosso Pastor, segue em nosso encalço por causa de quem ele é, por causa de sua lealdade. Apesar de nós.

O “habitarei na Casa do Senhor” pode ser entendido como um retorno à aliança. O apartar-se do pecado e voltar-se para Deus. O que demonstra um redirecionamento de seu destino por ocasião da ação misericordiosa de Deus. A “Casa do Senhor” é sinônimo de seu templo, sua família.

Para sempre significa por prolongados dias sobre a terra. Essencialmente significa a qualidade dos dias bem vividos, uma vez que o dom da vida é mais importante que a sua duração. Mas Davi confia que terá longos dias pois Deus cuida, pastoreia sua vida. Não significando que com o fim dela neste plano também se extingue a fidelidade de Deus e seu compromisso de vida conosco (2 Coríntios 5.1).

Conclusão

É assim que no último dia o Supremo Pastor separará as ovelhas dos bodes. Ele as chamará e elas seguirão porque conhecem a sua voz. Porque sempre ouviram sua voz e foram conduzidas por ele quis que elas fossem. Porque andaram após ele.

Afinal, é o que nos levará a habitar na Casa do Senhor para todo o sempre é a condução da sua bondade e sua misericórdia. A voz do Supremo Pastor é que nos escoltará até lá. E essa voz de Deus é ouvida através daquele que é o Bom Pastor, Jesus. Ele é o Bom Pastor que dá a vida pelas suas ovelhas. É ele a voz que antigamente falou de muitas maneiras aos nossos antepassados por meio dos profetas, mas nos últimos dias e definitivamente nos falou através do Filho. O Supremo Pastor e Bispo da nossa alma.

Portanto, todo o Salmo se concentra no privilégio que Deus nos dá durante todos os dias desta vida: de ouvirmos sua voz, de o seguirmos e de desfrutarmos de um relacionamento profundo e leal com ele.

Este Salmo é para cristãos que foram experimentados e provados ao longo de sua vida e jamais deixaram de ouvir a voz de Deus.

Mas é também para cristãos ainda crescendo, para que contemplem a fidelidade e o cuidado de Deus para com os que ouvem a sua voz, o seguem e são conduzidos em triunfo.

“Pois o Cordeiro que se encontra no meio do trono os apascentara e os guiara para as fontes da água da vida. E Deus lhes enxugara dos olhos toda lagrima” (Ap 7.1 7).


[i] Derek Kidner
[ii] Essa suficiência é expressa nos verbos: me faz repousar, leva-me, refrigera-me e guia-me.


https://exortaivos.wordpress.com/2017/05/03/a-voz-do-supremo-pastor/


4 de outubro de 2017

6 Razões pelas quais o Inferno é Real


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O inferno não é um lugar divertido para estar. Se é real, isso é. Na Idade Média as pessoas acreditavam que o inferno era um lugar embaixo da terra, onde as pessoas seriam atormentadas de acordo com a gravidade de seus pecados. A ideia popular do inferno foi amplamente moldada pelo famoso Inferno de Dante. Mas, como a humanidade descobriu que o universo não é nem plano nem o centro do universo (e muito mais), a noção de inferno ficou sob fogo. Também pretendido.

Não é apenas a localização do inferno, mas também o crescente desconforto com toda a ideia de pessoas torturadas pelos demônios como algo que faz parte de contos de fadas e mitos. Os tempos modernos provocaram um encantamento do mundo e com ele ideias de um lugar real de tormento chamado inferno. Além disso, as pessoas têm dificuldade com a ideias de que as pessoas serão eternamente atormentadas. Como um deus amoroso, que manda Jesus para salvar o mundo, realmente acabou tolerando, ou mesmo executando, o tormento eterno de seres humanos reais?

Neste artigo, eu me esforçarei para representar o caso em favor do inferno (não que o inferno precise de favor, mas se é real, é melhor saber disso), mas também o caso contra o inferno (é claro que todos estão contra o inferno, mas eu Estou falando aqui sobre a negação de sua existência). Em um terceiro artigo, vou discutir várias maneiras pelas quais os cristãos podem pensar de forma significativa sobre a vida após a morte. Vamos primeiro apresentar a posição de que o inferno é um lugar real.

A Palavra de Deus fala muito sobre o inferno.

Talvez o Antigo Testamento não seja muito claro sobre o inferno, mas no momento em que você chega no Novo Testamento, exatamente onde e quando Jesus, o salvador do mundo, aparece no palco do mundo, o idioma sobre o inferno explode. O público dos livros do Novo Testamento é claramente advertido de forma estrita e severa de que o inferno é real e que aqueles que não se arrependem e não seguem o Senhor vão acabar no inferno. Jesus nos diz para cortar nossos membros e arrancar o olho se os membros e o olho nos mandarem pecar (Mateus 5: 29-30). Paulo até fornece uma lista completa de pessoas que não herdarão o Reino de Deus (1 Coríntios 6:10). Quando chegamos ao Apocalipse, as pessoas são convidadas a beber partir de a água viva da graça de Deus (Apocalipse 22: 14-17) ou então enfrentar o terrível destino dos incrédulos: o lago de fogo (Apocalipse 20: 14-15). Aqueles cujo nome não está escrito no Livro da Vida não participarão da ressurreição.

Em resumo, qualquer pessoa que leve a Bíblia a sério como a Palavra de Deus não pode, de boa-fé, defender a posição de que o inferno não seria real ou que os cristãos não seriam obrigados a entender a Bíblia como real de acordo com a Palavra de Deus. Você não pode ser um cristão que acredita na Bíblia e não acreditar que o inferno seja real, quer queira ou não, seja isso politicamente correto ou não.

Jesus ensinou a realidade do inferno

Não podemos ignorar o ensino de Jesus a este respeito. Este Deus-homem, a Palavra encarnada, que veio para salvar o mundo, advertiu muitas vezes com muitas palavras e com muitos exemplos sobre a grande chance de acabar no inferno (Marcos 9:48; Mateus 23:33). Largo é o caminho que leva à perdição e estreita o caminho que leva à vida; largo é o portão para o inferno, mas estreita a entrada para a vida eterna (Mateus 7:13). A ameaça era tão real para Jesus que ele pediu aos crentes para cortar os membros e cortar os olhos se isso é o que é preciso para não pecar (Mateus 5: 29-30). Ele muitas vezes mencionou que haverá aqueles atirados para fora, onde há um ranger de dentes, desejaram a morte mas nunca morrão, e fogo que nunca será extinguido (Marcos 9:48). Jesus ensinou pouco sobre o céu ou paraíso, mas mais do que ninguém na Escritura sobre o inferno.

O homem rico se encontrou no inferno

Depois, há esta história notável sobre Lázaro e o homem rico (sem nome) no Evangelho de Lucas (Lucas 16: 19-31). Não há indicação de que esta seja uma parábola. Não é mencionado aqui. Isso deve nos dar uma pausa. Pode muito bem ser que Jesus contou esta história como uma das suas parábolas, mas que realmente aconteceu, ou que, pelo menos, Jesus considerou o conteúdo desta história como um cenário realista da vida após a morte.

Em qualquer caso, nesta história, Lázaro, pobre e destituído, sempre implorando na frente da casa do homem rico, morre. O homem rico também morre e quando ele abre os olhos, ele se encontra no inferno com uma garganta seca e nenhuma gota de água para apagar sua sede. Então ele vê Lázaro na presença de Abraão e deseja que Abraão deixe Lázaro trazê-lo, mas uma gota de água para matar a sua sede. Quanto mais real queremos que seja?

No Apocalipse, o Inferno é Mostrado como algo Real

O livro do Apocalipse nos mostra o panorama chocante do fim do mundo, como os que são do mal estão ficando ainda mais maus e como a verdade de Deus se mostra triunfante, desafiando o diabo e suas hordas. O mal será superado e aqueles que se juntaram ao mal contra o Cordeiro de Deus encontrar-se-ão atirados no lago de fogo (Apocalipse 20). Eles terminam no conjunto de fogo juntamente com o Anticristo e Satanás, bem como o reino dos mortos.

À medida que o livro chega ao fim, é claro que existe uma linha estreita que divide os maldosos dos justificados. Aqueles cujo nome não está escrito no Livro da Vida sofrerão uma perda eterna. Eles perderão suas vidas e encontrarão seu destino eterno no inferno.

Justiça exige punição por erros

Não é só porque a Bíblia ensina a realidade do inferno que devemos acreditar. Existem também razões teológicas. Um deles é que há tanta maldade no mundo, tanto maldade que os seres humanos perpetram contra Deus e outro ser humano, que simplesmente fica impune (cf. Apocalipse 6: 10-11).

Hitler, por exemplo, conseguiu fugir, por assim dizer, de ser responsável pelo assassinato de milhões e milhões de pessoas por um simples ato de suicídio.

Os extremistas muçulmanos dificilmente sofrem quando detonam as bombas amarradas ao redor de seus corpos, matando e mutilando inúmeros espectadores inocentes.

Estupradores, traficantes de drogas, aqueles que cometem fraude … tantas pessoas cometem crimes hediondos sem serem pegos enquanto eles ainda causaram tanto dano, dor e destruição na vida de outras pessoas.

Se não há inferno, não há justiça. Se essas pessoas não recebem o pagamento pelo que fizeram, simplesmente não é justo. A justiça exige consequências. A justiça exige que o Deus dos céus e da terra exija castigos aos que cometem o mal.

Um Deus Santo não pode suportar a coexistir com o Pecado

O mal e o pecado não são apenas cometidos por seres humanos contra outros seres humanos. Em última análise, o pecado é rebelião e ódio contra Deus (cf. Êxodo 10:16; Jeremias 14:20; 2 Samuel 12:13; Salmo 51: 4; Daniel 9: 8). A honra de Deus é violada. O pecado é um ataque contra Deus. Isso não é tudo. Deus é santo. Deus é sem pecado e sem culpa. Deus habita na luz mais pura, como Deus é a Divindade mais pura que a luz, Deus é também a mais pura beleza e do amor mais puro. Simplesmente não há maneira de que os pecadores não arrependidos possam habitar na presença de tal Deus ou que tal Deus possa tolerar a presença de pessoas tão pecaminosas (Pense na parábola sobre o homem sem roupas de casamento no banquete de casamento, Mateus 22:11 -13).

E, após a morte, há apenas duas opções: (a) Você vai morar na presença de Deus (que é o céu) ou não habita na presença de Deus (que é o inferno). Não há um termo intermediário do modo como nossa vida terrena é vivida em um grau de incerteza sobre se Deus existe ou não.


6 Reasons Why Hell is Real

por: Josh de Keijzer

Traduzido e adaptado por: Thiago Dearo

Portal Padom


3 de outubro de 2017

Como o Ministério Pode te Tornar Orgulhoso



Por Timothy Keller

Eu tenho servido como ministro ordenado por 42 anos. Muitos dos que começaram comigo não chegaram à linha final. O percentual é doloroso. Uma das razões principais de muitos não terem durado, eu penso, é porque ninguém os alertou sobre as maneiras como o ministério pode te tentar com orgulho.
É nessa área que as palavras de Paulo em 2 Coríntios 12.7-10 têm sido tão úteis para mim como pastor. Paulo – o próprio Apóstolo treinado em teologia e para o ministério pelo próprio Cristo ressurreto – nos alerta para o fato de que o treinamento teológico e a vida no ministério podem nos levar ao orgulho se falharmos em cooperar com a intervenção graciosa de Cristo.
Aqui estão as três maneiras como o ministério pode te tornar orgulhoso sem a intervenção de Deus. Pastores, sintam-se alertados.

1. Conhecimento Teológico Pode te Tornar Esnobe
Primeiro, a soberba do conhecimento teológico. Alguns em Corinto tinham o conhecimento teológico correto sobre as carnes oferecidas aos ídolos, mas a que este conhecimento os levou? A se tornarem esnobes. Ele está dizendo algo muito simples aqui. Conhecer a verdade carrega uma tendência de se inflar. Você se torna focado em si mesmo, orgulhoso de seu conhecimento e percepção. O amor, por outro lado, leva ao auto esvaziamento.
Martyn Lloyd-Jones colocou desta forma:
Sempre que você permite que seu relacionamento com a verdade se torne puramente teórico e acadêmico, você estará caindo na teia de Satanás… No momento em que, em seu estudo, você para de se colocar sob o poder da verdade, você se tornou uma vítima do Diabo. Se você pode estudar a Bíblia sem ser examinado, vasculhado e humilhado, sem ser levado à adoração a Deus, ou movido com tristeza pelo que Deus suportou por você, ou sem ficar maravilhado com a beleza e sabedoria do que Cristo fez por você, se você não sente tanto desejo de cantar quando você está estudando a Bíblia sozinho quanto quando você está no púlpito, você está em perigo. E você sempre deveria sentir algo neste poder.
Lloyd-Jones prossegue identificando as marcas de alguém que aprendeu a dominar a Bíblia como um conjunto de informações, não como poder extraordinário. Uma marca é se tornar um rabugento espiritual. Um rabugento espiritual é alguém que está sempre reclamando e discutindo detalhes de distinções teológicas, sempre denunciando com discussões as traduções da Bíblia ou denunciando pessoas por estarem do lado errado da última controvérsia teológica. Um rabugento espiritual trata a Palavra de Deus como algo que você usa, não como algo que usa você. Ele é inflado por seu orgulho intelectual e por sua tribo teológica.

2. O Ministério Pode se Tornar Uma Identidade Falsa
O segundo engano vem de uma falsa identidade criada no ministério. Você tenderá a se identificar tão pessoalmente com seu ministério que o sucesso dele (ou a falta de sucesso) se tornará o SEU sucesso (ou falta de sucesso). Uma vez que você comece a se identificar desta forma, você criará uma falsa identidade baseada em sua performance como ministro.
Este tipo de falsa identidade pode se manifestar de quatro formas:

I. Sucesso
Você edifica uma falsa identidade baseada em circunstâncias ou performance. Você vai à igreja todos os Domingos. Você diz que é um Cristão. Você tem três casas. Você parece ser bem-sucedido, e esta é a sua identidade. Mas agora parece que você pode perder a sua carreira ou a sua riqueza. Então você pensa, “eu não posso deixar que isso aconteça” E mesmo sendo um cristão você engana, você trai, você usa pessoas. Você diminui pessoas e destrói a carreira delas para se manter onde você está.
Todo cristão luta contra uma falsa identidade. Todo não-cristão possui uma falsa identidade. Nós que estamos no ministério em tempo integral acabamos lidando com o ferrão do sucesso de uma forma ou de outra. Quando as pessoas vêm à igreja, você sentirá que elas estão te afirmando, quando as pessoas deixam a igreja, você irá sentir como se fosse um ataque pessoal.

II. Críticas
Se seu ministério se tornar a sua falsa identidade, você não saberá lidar com críticas. As críticas virão e serão tão traumáticas porque questionarão a sua qualidade como pastor. Críticos dirão: “Sabe, suas pregações não são muito boas… queria que meu pregador fosse melhor.” Você as receberá como um ataque pessoal. As críticas te devastarão ou você simplesmente irá ignorá-las e não crescerá com elas.

III. Covardia
Se o seu ministério se tornar a sua falsa identidade, você sucumbirá à covardia. Existem dois tipos de covardia. Existe a verdadeira covardia – estar com medo de lidar com as situações ou de ofender as pessoas que dão a maior quantidade de dinheiro à igreja ou de pregar uma mensagem que fará com que os jovens deixem a igreja. Esta é a covardia verdadeira.
Mas existe um outro tipo de covardia que eu chamo de covardia disfarçada. Esta é a covardia de ser duro demais, bélico demais e então dizer: “Vejam, eu sou um valente pela verdade.”. Isto também vem de um coração que busca sua identidade no ministério. Esta pessoa não se define por quem ela é em Cristo, mas sim no ministério.

IV. Comparações
Um último sinal de que você caiu em uma falsa identidade é que você não consegue evitar as comparações. Você fica com inveja quando outros, que você pensa não trabalharem tão duro quanto você ou não serem tão teologicamente astutos quanto você, estão sendo bem-sucedidos.

3. O Ministério Pode te Fazer Focar Mais nas Aparências
Quando você fala às pessoas sobre Deus, você tem duas opções: comungar com Deus ou agir como se você comungasse com Deus. Visto que o trabalho do ministro é mostrar quão grande Deus é e quão maravilhosa a vida cristã pode ser, a vida dele precisa refletir isso. Então, ou você estará perto Deus ao ministrar ou você terá que agir como se estivesse perto de Deus. Ou você realmente aprende a se relacionar com Deus ou você aprende a fingir que se relaciona. Você fala como se fosse bem mais próximo de Deus do que você de fato é. E não apenas as pessoas começam a pensar que você é próximo de Deus, você também começa a se convencer disto. Isto pode ser devastador para o seu coração.
Na última noite dos discípulos com Jesus, ele disse que um deles o trairia (João 13.21). É interessante considerar como os discípulos responderam. Todos eles olharam para o lado e perguntaram quem seria o traidor. De fato, mesmo depois de Jesus dizer que seria aquele a quem Ele daria o pão, eles ainda não entenderam. Você sabe por que? Porque Judas não aparentava ser, em nada, diferente deles. Por fora, ele era um ministro eficaz, mas por dentro, não havia nada. Ele cuidou de sua vida externa mais do que de sua vida interna. Jonathan Edwards, em seu ótimo livro “Caridade e seus frutos”, fala sobre o fato de que Deus usou Judas mesmo sem que ele fosse salvo. Não queremos que este seja o nosso legado no ministério.
Mas é aqui que a hipocrisia começa. O ministério fará de você um cristão muito melhor ou um cristão muito pior do que você seria se não estivesse no ministério. O ministério te fará ser um hipócrita farisaico ou fará de você uma pessoa mais mansa, amorosa e cuidadosa porque te levará ao trono da graça do Senhor para clamar por ajuda em suas fraquezas. Ou o ministério te levará a Ele ou te levará para longe dEle. Como Judas, escolha você de qual vida você cuidará, a externa ou a interna.

Supere Seu Orgulho
Então, como você supera tudo isso?
Lembre-se da situação de Paulo em 2 Coríntios. Ele estava enfrentando falsos apóstolos e mestres que estavam dizendo que ele não tinha as credenciais para ser um verdadeiro apóstolo. Paulo contradiz dizendo que ele tem sim as credenciais – mas não o tipo de credenciais que esperaríamos. Ele inverte todas as categorias. Ao invés de se orgulhar em seu conhecimento teológico, vasto sucesso ministerial, ou vida exterior que seria padrão de perfeição, ele se orgulha em seus insultos, dificuldades, em ter sido expulso de cidades. É assim que ele argumenta que Deus está a seu favor. Ele nos diz que devemos olhar para todas as coisas que Deus fez a fim de levá-lo a ficar de joelhos.
Pastor, considere todas as coisas que Deus tem feito para quebrar seu orgulho. Veja todas as formas pelas quais ele tem te levado a perceber sua pequenez para que você possa se agarrar a ele com mais força. Que todos os seus fracassos, desapontamentos e fraquezas te levem ao amor de Deus como um martelo leva um prego ao coração da madeira. Você só se tornará um verdadeiro ministro quando você aceitar e abraçar seus fracassos, desapontamentos e fraquezas e assim chegará à linha final.

Traduzido por Filipe Niel
Postado originalmente em thegospelcoalition

https://exortaivos.wordpress.com/2017/07/27/3-maneiras-como-o-ministerio-pode-te-tornar-orgulhoso/