Em Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. (Colossenses 2:3)

Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por essas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.(Efésios5:6)
Digo isso a vocês para que não deixem que ninguém os engane com argumentos falsos. (Colossenses 2:4)

23 de setembro de 2017

É possível que o nome de uma pessoa seja apagado do Livro da Vida?

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Apocalipse 22:19 diz: "Se alguém tirar alguma palavra deste livro de profecia, Deus tirará dele a sua parte na árvore da vida e na cidade santa, que são descritas neste livro." Este versículo é normalmente envolvido no debate sobre a segurança eterna. Será que Apocalipse 22:19 significa que o nome de uma pessoa, depois de ter sido escrito no Livro da Vida do Cordeiro, pode em algum momento no futuro ser apagado? Em outras palavras, pode um cristão perder a salvação?

Em primeiro lugar, as Escrituras deixam claro que um verdadeiro crente é protegido pelo poder de Deus, selado para o dia da redenção (Efésios 4:30), e que o Filho não perderá nenhum dos que o Pai lhe deu (João 6:39). O Senhor Jesus Cristo proclamou: "Eu lhes dou a vida eterna, e elas jamais perecerão; ninguém as poderá arrancar da minha mão. Meu Pai, que as deu para mim, é maior do que todos; ninguém as pode arrancar da mão de meu Pai"(João 10:28-29b). A salvação é uma obra de Deus, não nossa (Tito 3:5), e é o Seu poder que nos protege.

Se não aos cristãos, então a quem esse "alguém" de Apocalipse 22:19 se refere? Em outras palavras, quem talvez queira adicionar ou tirar palavras da Bíblia? Muito provavelmente, esta adulteração da Palavra de Deus não seria feita pelos verdadeiros crentes, mas por aqueles que apenas professam ser cristãos e que supõem que seus nomes estejam no Livro da Vida. De um modo geral, os dois principais grupos que têm tradicionalmente adulterado a revelação são seitas pseudo-cristãs e aqueles que sustentam crenças teológicas muito liberais. Muitas seitas e teólogos liberais reivindicam o nome de Cristo para si, mas não são nascidos de novo -- o termo bíblico definitivo para um cristão.

A Bíblia cita vários exemplos de pessoas que achavam que eram crentes, mas cuja profissão de fé foi provada como sendo falsa. Em João 15, Jesus se refere a elas como ramos que não permaneceram nele, a Videira verdadeira e que, portanto, não produziram nenhum fruto. Sabemos que são falsos porque "Vocês os reconhecerão por seus frutos" (Mateus 7:16, 20). Por outro lado, os verdadeiros discípulos demonstrarão o fruto do Espírito Santo que reside dentro deles (Gálatas 5:22). Em 2 Pedro 2:22, mestres falsos são cães que retornam ao seu próprio vômito e a porca lavada que "voltou a revolver-se na lama". O ramo estéril, o cão e o porco são todos símbolos daqueles que professam ter salvação, mas que não podem confiar em nada mais que em sua própria justiça, pois não possuem a justiça de Cristo que verdadeiramente salva.

É duvidoso que aqueles que se arrependeram de seus pecados e nasceram de novo voluntariamente adulterariam a Palavra de Deus de qualquer forma, seja acrescentando ou tirando dela. É claro que reconhecemos que pessoas boas têm tido sinceras diferenças na área de crítica textual. No entanto, pode-se demonstrar como os cultistas e liberais têm repetidamente tanto "acrescentado" quanto "tirado". Assim, podemos entender a advertência de Deus em Apocalipse 22:19 desta maneira: qualquer um que mexer com essa mensagem crucial vai descobrir que Deus não colocou o seu nome no Livro da Vida, será negado o acesso à Cidade Santa e perderá qualquer expectativa de todas as coisas boas que Ele promete aos seus santos neste livro.

De um ponto de vista puramente lógico, por que o soberano e onisciente Deus -- Aquele que conhece o fim desde o começo (Isaías 46:10) -- escreveria um nome no Livro da Vida já sabendo que teria de removê-lo quando essa pessoa eventualmente negasse a fé? Além disso, ler essa advertência dentro de seu contexto no parágrafo em que aparece (Apocalipse 22:6-19) mostra claramente que Deus permanece consistente: apenas aqueles que têm dado atenção às Suas advertências, arrependeram-se e nasceram de novo poderão antecipar algo de bom na eternidade. Todos os outros, infelizmente, têm um futuro terrível e aterrorizante à sua espera.

Apocalipse 3:5 é um outro versículo muito importante para essa questão. "O vencedor.... Jamais apagarei o seu nome do livro da vida." O "vencedor" mencionado nessa carta a Sardes é o cristão. Compare isso com 1 João 5:4: "O que é nascido de Deus vence o mundo" e o versículo 5: "Quem é que vence o mundo? Somente aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus" (Veja também 1 João 2:13). Todos os crentes são "vencedores" por terem a vitória sobre o pecado e a incredulidade do mundo.

Algumas pessoas veem em Apocalipse 3:5 a imagem de Deus com sua caneta em posição pronta para eliminar o nome de qualquer cristão que peque. Eles interpretam algo mais ou menos assim: "Se você fracassar e não conquistar a vitória, então perderá a sua salvação! Na verdade, apagarei o seu nome do Livro da Vida!" Entretanto, NÃO é isso o que o versículo diz. Jesus está dando uma promessa aqui, não uma advertência.

As Escrituras nunca dizem que Deus apaga o nome de um crente do Livro da Vida; nunca há sequer um aviso de que esteja contemplando fazê-lo! A maravilhosa promessa de Apocalipse 3:5 é que Jesus NÃO apagará o nome de ninguém. Falando aos "vencedores" -- todos os redimidos pelo sangue do Cordeiro -- Jesus dá a Sua palavra de que não apagará os seus nomes. Ele afirma que quando um nome se encontra no livro, então está lá para sempre. Isso é baseado na fidelidade de Deus.

A promessa de Apocalipse 3:5 é direcionada aos crentes, os quais estão seguros na sua salvação. Em contraste, o aviso de Apocalipse 22:19 é direcionado aos incrédulos, os quais, ao invés de direcionarem seus corações para Deus, tentam mudar a Palavra de Deus para servir os seus propósitos.
 
 
https://www.gotquestions.org/Portugues/apagado-livro-vida.html 
 
 

18 de setembro de 2017

Muçulmanos e Cristãos adoram o mesmo Deus?


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Um artigo recente do Orange County Register afirmou que Rick Warren, pastor da Igreja Saddleback, está “propondo um conjunto de princípios teológicos que inclui o reconhecimento de que cristãos e muçulmanos adoram o mesmo Deus”. Será que o pastor Warren realmente acredita que cristãos e muçulmanos adoram o “mesmo” Deus? Em uma entrevista postada no blog de Ed Stetzer, Warren diz que a alegação está completamente errada. Além disso, ele acrescenta:
 
Pergunta: Será que as pessoas de outras religiões adoram o mesmo Deus que os cristãos?

Warren: Claro que não. Os cristãos têm uma visão de Deus que é única. Nós acreditamos que Jesus é Deus! Nós acreditamos que Deus é uma Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Não três deuses separados, mas um só Deus. Nenhuma outra fé acredita que Jesus é Deus. Meu Deus é Jesus. A crença em Deus como uma Trindade é a diferença fundamental entre os cristãos e todos os outros. Há 2,1 bilhões de pessoas que se dizem cristãos… quer católicos, ortodoxos, protestantes, pentecostais ou evangélicos. E todos eles têm a doutrina da Trindade em comum. Hindus, muçulmanos, Testemunhas de Jeová, Ciência Cristã, Unitaristas, e todos os outros não aceitam que Jesus ensinou sobre a Trindade.
Então, para ser claro, Rick Warren não acredita que cristãos e muçulmanos adoram o “mesmo” Deus.

Uma vez que, tanto o islamismo quanto o cristianismo são monoteístas, o que haveria de errado em afirmar que os cristãos e os muçulmanos adoram o “mesmo” Deus?
Há duas razões pelas quais devemos nos abster de concordar com esta afirmação: o respeito pela verdade e o respeito pela liberdade de crença religiosa.
A razão primeira e mais importante, é que o Islã nega uma verdade fundamental necessária quanto a alegação de que ‘os cristãos e os muçulmanos adoram o “mesmo” Deus’ seja verdadeira. Uma das verdades axiomáticas básicas do cristianismo é que Deus é Uno e Trino. Embora esta possa ser uma doutrina difícil de entender, quase todos os cristãos concordam que Jesus não é uma “parte” ou “atributo” de Deus, mas é uma das três pessoas da Trindade. Um cristão não pode falar de “Deus” sem incluir Cristo.
Quando afirmamos que adoramos o “mesmo” Deus estamos basicamente dizendo que os judeus e os muçulmanos adoram a Cristo, mas eles simplesmente não sabem disso. Ao tomar esta posição, ou estamos negando a validade de nossa crença em Cristo ou rejeitando a crença dos muçulmanos de que Jesus não é divino. Em essência, estamos reivindicando tanto que (1) apesar de suas negações em contrário, os muçulmanos reconhecem que Jesus é Deus, ou (2) que é possível conhecer e adorar a Deus e mesmo assim negar que Cristo é Deus.

O que há de errado em afirmar que os muçulmanos alegam que Jesus é Deus, mas que eles não sabem disso?
Como um cristão evangélico, eu tenho um profundo respeito pela liberdade de crença religiosa. Embora possa ser necessário limitar certas ações que seriam praticadas em nome da liberdade religiosa, eu não acredito que estamos justificados em impedir a liberdade de pensamento, especialmente quando se trata da possibilidade de aceitar ou rejeitar Jesus Cristo. Já que o próprio Deus permite que os seres humanos o rejeitem, não podemos fazer menos do que respeitar esse mesmo direito.
A maioria dos muçulmanos são conscientes da pessoa de Jesus Cristo, mas simplesmente rejeitam a afirmação de que ele é Deus. Não obstante eu discorde de sua conclusão, eu confio que eles tenham o que consideram razões justificadas – pelo menos em consonância com a teologia deles – por que eles rejeitam Jesus como Deus. Se usássemos um jogo semântico como “isca e anzol” – alegando que todos nós adoramos o mesmo Deus, mas adicionando um elemento sobre o qual eles discordariam veementemente – nós demonstraríamos um desprezo e desrespeito para com os muçulmanos.

Embora possa ser desrespeitoso, não é mais generoso continuar fazendo a afirmação de que adoramos o “mesmo” Deus?
A liberdade religiosa é uma liberdade divinamente permitida. Como cristãos, é nosso dever falar a verdade em amor e com maturidade lidar com divergências genuínas. A tolerância religiosa não nos obriga a concordar com o conteúdo de outros credos religiosos, mas apenas que demonstremos o respeito devido a outros seres humanos feitos à imagem de Deus. Ao encobrir nossas profundas diferenças teológicas com uma camada de acordo ecumênico politicamente correto, estaremos sendo injustos com os seguidores do Islã.

Qual é a base para dizer que nós não adoramos o “mesmo” Deus?
Para lançar luz sobre por que esta afirmação não pode ser verdadeira, vamos colocar os argumentos muçulmanos e cristãos em sequência lógica. Em primeiro lugar, o argumento muçulmano na forma de um breve silogismo (modus ponens):
  1. {Se P logo Q} Se você acredita que Jesus é o filho unigênito de Deus, então você não acredita no Deus único e verdadeiro {Corão (Sura 112) – “Diz: Ele é Deus, o Primeiro e Único; Deus, o Eterno, o Absoluto, Ele não gerou, nem é gerado, e não há ninguém igual a Ele”}.
  2. {P} Cristãos acreditam que Jesus é o filho unigênito de Deus. (João 3:16)
  3. {Q} Cristãos não acreditam no único Deus verdadeiro.
Em segundo lugar, uma forma estendida e mais detalhada a partir da perspectiva cristã:
  1. P—Os Evangelhos de Mateus e João fazem afirmações precisas sobre o que Jesus disse.
  2. Q—Tudo o que Jesus disse era verdade.
  3. R—Jesus disse que ele é o filho unigênito de Deus. {João 3:16. 1, 2}
  4. S—Jesus disse que você pode conhecer o Pai, se, e somente se você o conhecer primeiro. {João 8:19, Mt. 11:27. 1, 2}
  5. T-> U—Se você negar que Jesus é o filho unigênito de Deus, então você não conhece Jesus. {Modus Ponens, 1, 2, 3}
  6. U-> V—Se você não conhece a Jesus, então você não conhece o Pai. {Modus Ponens, 4}
  7. T-> V—Se você negar que Jesus é o filho unigênito de Deus, então você não conhece o Pai. {Silogismo hipotético, 5, 6}
  8. W—Muçulmanos negam que Jesus é o filho unigênito de Deus. {Corão (Sura 112) – “Diz: Ele é Deus, O Primeiro e o Único; Deus, o Eterno, o Absoluto, Ele não gerou, nem é gerado, e não há ninguém igual a Ele”}
  9. T & W—Você nega que Jesus é o filho unigênito de Deus e os muçulmanos negam que Jesus é o filho unigênito de Deus. {Conjunção, 5, 8}
  10. W-> V—Se os muçulmanos negam que Jesus é o filho unigênito de Deus, então os muçulmanos não conhecem o Pai. {Simplificação, Modus Ponens, 7, 9}
Seu argumento depende da afirmação de que os muçulmanos negam que Jesus é o filho unigênito de Deus. Notoriamente eles estão errados, mas eles não poderiam estar errados e adorar o “Deus de Abraão, Isaac e Jacó”? Afinal, na história sobre Jesus e a mulher samaritana no poço Jesus diz a ela que os samaritanos adoram o que eles não conhecem, mas Ele não diz que é um Deus diferente que eles adoram. Por que não pode o mesmo ser verdadeiro quanto aos muçulmanos?
Existem duas razões que eu penso ser essa uma opção não plausível:
  • O muçulmano não adora o “Deus de Abraão” como os judeus e os cristãos concebem que ele seja. Sua visão de Deus é radicalmente diferente do Senhor. A não ser a afirmação da linhagem de Abraão, sua concepção de Deus é tão radicalmente diferente da nossa que quase não há base para a ideia de que eles estão falando sobre o mesmo Ser.
2) Como a história de Jesus e a mulher samaritana (João 4:1-26) declara “disse-lhe a mulher: ‘Eu sei que vem o Messias (que se chama o Cristo). Quando ele vier, vai nos dizer todas as coisas’. Jesus lhe disse: ‘Eu que falo contigo sou ele’. Os versos 39-42 acrescentam um detalhe chave:
Muitos samaritanos daquela cidade creram nele por causa do seguinte testemunho dado pela mulher: “Ele me disse tudo o que tenho feito.” Assim, quando se aproximaram dele, os samaritanos insistiram em que ficasse com eles, e ele ficou dois dias. E por causa da sua palavra, muitos outros creram. E disseram à mulher: “Agora cremos não somente por causa do que você disse, pois nós mesmos o ouvimos e sabemos que este é realmente o Salvador do mundo”.
Quando os samaritanos foram apresentados às reivindicações de Jesus, eles aceitaram-no como “o Salvador do mundo”. Em contraste, os muçulmanos também estão cientes das reivindicações de Jesus e o rejeitam como Messias e Filho de Deus.

Se o seu argumento é válido, então não se aplicaria também aos judeus? Você está dizendo que os judeus não adoram o “mesmo” Deus que os cristãos?
Para responder a esta pergunta, eu vou ceder a meu colega blogueiro do TGC Trevin Wax, cuja visão sobre o assunto eu inteiramente apoio:
Alguns leitores podem afirmar que “Jesus é o Deus de Abraão, Isaac e Jacó”, a fim de eliminar muitos deuses pluralistas. Mas onde isso deixa nossos amigos judeus, uma vez que eles facilmente fariam a mesma afirmação? Você diria: “judeus e cristãos compartilham o mesmo Deus! É apenas sobre Jesus que nós não concordamos”. Ao dizer isso, os cristãos fazem uma deturpação flagrante do Senhor – o Grande Eu Sou.
Deus não é Deus à parte de Jesus. É inútil tentar definir o Deus de Abraão, Isaac e Jacó à parte de Jesus Cristo. Esse é o problema pluralista que assola muitos grupos cristãos hoje. Uma vez que você não pode explicar o Deus da Bíblia sem envolver a Trindade, você jamais pode explicar plenamente como faz algum sentido que “Jesus é Deus”.
Como os cristãos acreditam em um Deus triuno – o Senhor em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo, nós realmente comprometemos a divindade de Cristo alegando que o nosso Deus é o mesmo que o de nossos amigos judeus. Como cristãos, nós acreditamos que Jesus é tão importante que você não pode definir a identidade de Deus à parte Dele.
Então, qual é a resposta? O que pode nos ajudar a atravessar algumas das burocracias teológicas e conduzir-nos ao ponto onde podemos mais uma vez fazer uma firme declaração do Evangelho?
Aqui está a afirmação que eu recomendo você mastigue um pouco: DEUS É JESUS. Quando você vê Jesus, você está vendo a Deus, não só porque Jesus é Deus, mas também porque Deus é Jesus. Jesus é Aquele que nos mostra quem é Deus e como Deus é.

Traduzido por Victor San a partir do site:


17 de setembro de 2017

A tradução da Bíblia: a herança da Reforma


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Uma das principais heranças da Reforma foi dar a Bíblia ao povo 

Cinco séculos depois de Lutero, comemoramos a Reforma Protestante com muita alegria e celebração. Uma das principais heranças da Reforma foi dar a Bíblia ao povo. A Reforma é a mãe das traduções bíblicas. Todavia, as dificuldades envolvidas numa tradução da Bíblia não são muito conhecidas. Poucos sabem como é árdua esta tarefa. A verdade é que não é possível exercer quase nenhum ministério cristão sem ter a Bíblia na língua do povo. Não seria possível pregar e ensinar sem a Palavra de Deus em nossa língua. Graças a Deus pelas vidas de Jerônimo, Ulfilas, Martinho Lutero, Louis Segond, John Wycliffe, João Ferreira de Almeida e muitos outros tradutores da Bíblia. Eles dedicaram a vida no ministério da tradução da Palavra de Deus.

Os problemas enfrentados pelos tradutores da Bíblia são enormes. Embora a tarefa pareça simples para alguns, nada pode estar mais longe da verdade! Há quem pense que basta trocar os termos da língua original pelas palavras em português para traduzir o texto sagrado. Vale a pena considerar aqui a lista de dificuldades pertinentes a esta nobre tarefa.

1. Os Manuscritos Antigos

Ao contrário do que se imagina, não existe um único manuscrito bíblico do qual se possa traduzir o texto bíblico. Deus, em sua soberania, não nos deixou o manuscrito original da Bíblia Sagrada. Na verdade, o que temos são milhares de manuscritos posteriores, cópias feitas por escribas no decorrer dos séculos. Apesar disso, estamos absolutamente seguros de que a Bíblia é o documento antigo mais bem preservado da história da humanidade.

Não há dúvida alguma de que possuímos manuscritos extremamente próximos aos originais. Mas um grande número de pequenas diferenças entre os diversos manuscritos exige uma avaliação cuidadosa dos estudiosos para que seja possível alcançar um texto mais próximo do original. Quando isso acontece, busca-se a ajuda da crítica textual que desenvolveu critérios objetivos e científicos de avaliação do texto bíblico. Com base nos resultados desses estudos criteriosos é possível tomar uma decisão correta sobre que variante textual escolher.

Portanto, todo tradutor da Bíblia tem como primeiro problema avaliar as variantes textuais dos manuscritos bíblicos e tomar decisões com base nessa avaliação. Somente após esse primeiro passo será possível fazer uma tradução fiel e mais próxima do texto original.

No caso do Antigo Testamento, escrito quase todo em hebraico, os manuscritos principais que precisam ser avaliados para uma boa tradução bíblica são o Texto Massorético, o Pentateuco Samaritano, a Septuaginta (famosa versão grega do texto do AT), a Versão Siríaca, os Targuns aramaicos e os famosos Manuscritos do Mar Morto. Já no caso do Novo Testamento, há centenas de papiros antigos, alguns códices (cópias completas do Novo Testamento) e milhares de manuscritos mais recentes.

O resultado do trabalho de crítica textual mais confiável e respeitado pelo mundo acadêmico encontra-se nas edições da Bíblia Hebraica Stuttgartensia (Antigo Testamento) e no Novum Testamentum Graece (editado por E. Nestlé e K. Aland).

2. A Complexidade da Compreensão do Texto

Os autores do texto bíblico e os escribas que fizeram milhares de cópias dos manuscritos bíblicos antigos viviam num mundo muito diferente. Falavam línguas (hebraico, aramaico e grego) que ainda procuramos compreender, pertenciam a uma cultura muito distinta e não redigiam textos conforme a expectativa moderna. Por essa razão, nem todos os textos bíblicos são tão fáceis de ser entendidos, nem mesmo pelos peritos e especialistas nas línguas originais. Às vezes, a construção da frase não segue a gramática comum da língua; em outras ocasiões, ficamos em dúvida sobre onde devemos dividir a frase (a pontuação do texto grego do Novo Testamento, por exemplo, não faz parte do original); em certas passagens bíblicas, há palavras difíceis de ser compreendidas, pois o seu significado comum não cabe no contexto.

Isso quer dizer que, mesmo depois de estabelecido o texto pelos especialistas da crítica textual, nem sempre todos os textos bíblicos serão decifrados e entendidos com facilidade. É por isso que o leitor comum, muitas vezes, já constatou que alguns textos possuem traduções diferentes em versões bíblicas distintas. A verdade é que diversos textos bíblicos admitem mais de uma tradução correta, e, em muitos casos, alguns deles exigem uma atenção especial e um trabalho cuidadoso para que sejam de fato compreendidos.

3. O Desafio da Semântica

A semântica é a ciência dedicada ao estudo do significado das palavras. As principais fontes dessa pesquisa são os dicionários e léxicos acadêmicos. Quando queremos saber o significado de um termo, procuramos um léxico. Isso não é tão difícil quando estamos pesquisando o significado de termos falados atualmente na língua portuguesa. No entanto, quando queremos descobrir o significado das palavras hebraicas, aramaicas e gregas, a tarefa é muito mais árdua. O significado exato de muitas palavras, principalmente hebraicas, ainda é um desafio para os estudiosos.

Talvez, a ideia mais comum sobre o significado das palavras seja a etimológica. Muita gente acredita que o significado de uma palavra está na sua raiz, na sua ideia original. Em muitos casos isso é verdade. No caso da palavra cefaloide, por exemplo, é fácil entender o seu significado a partir da sua etimologia. A primeira parte da palavra, cefal, vem do grego “kephalê”, que significa cabeça; já o sufixo oide expressa a ideia de forma. Assim, cefaloide significa o que tem forma de cabeça. Nesse caso, a etimologia da palavra permite-nos saber com exatidão o seu significado. Todavia, nem sempre tais associações etimológicas nos dão o significado de um termo. Há casos como o da palavra hipopótamo, na qual os radicais gregos significam literal e etimologicamente cavalo (hipos) e rio (potamos). No entanto, ninguém jamais concordará que “cavalo do rio” traduz exatamente o significado de hipopótamo.

Finalmente, descobriremos também palavras cuja etimologia até destoam do significado mais comum das mesmas. Esse é o caso da palavra “embarque”. O termo, originalmente, era usado para o ato de entrar em um barco. Todavia, hoje o termo é usado para referir-se ao embarque de um voo, ao embarque em um trem (ou no metrô). Assim, deve ficar claro que determinar o significado de uma palavra exige mais do que descobrir sua etimologia. Na verdade, é muito importante levar em consideração a importância de outros fatores fundamentais:

– O fator sociológico

O uso de uma palavra depende do uso que os falantes fazem da mesma. Na verdade, as palavras de uma língua não têm nenhuma relação intrínseca com os objetos da realidade. As palavras funcionam como etiquetas que, nós, os falantes da língua, colocamos nos objetos à volta para podermos nos referir a eles. Assim, cada língua cria suas próprias palavras arbitrariamente. Além disso, essas palavras são muitas vezes criadas independentemente de qualquer origem etimológica.

Por essa razão, para que se entenda o significado de um termo é muito importante descobrir em que sentido ele está sendo usado dentro de um texto, pois muitas vezes a sua origem ou raiz não serão úteis na determinação do seu significado.

O termo grego “logos”, por exemplo, significa principalmente palavra quando traduzia um conceito semítico do mundo hebreu, mas para os gregos a ideia básica era a de “razão”. O tradutor do Novo Testamento terá de descobrir em que sentido o autor bíblico (João 1.1) usou a palavra logos. Graças ao trabalho de exegetas e linguistas, hoje temos léxicos que trazem uma avaliação semântica ampla e detalhada de cada termo hebraico, aramaico e grego. Um léxico erudito é uma das ferramentas indispensáveis para a compreensão e a tradução dos termos bíblicos.

– O fator histórico

O aspecto sociológico da semântica leva-nos diretamente ao aspecto histórico. O uso das palavras, bem como o seu significado, sofre variação de acordo com a época em que o texto foi escrito. No caso dos estudos do AT, os estudiosos fazem distinção entre as diversas fases da língua hebraica: o hebraico arcaico, pré-exílico e pós-exílico. A verdade é que há diferença de vários séculos entre um texto e outro. Diante desse fato, não há dúvida de que a mesma palavra pode ter significados diferentes em épocas distintas.

No caso do NT, apesar de todo o texto ter sido escrito em grego, sabemos hoje que esse grego não é o grego clássico (dialeto ático). Não é possível compreender o significado dos termos gregos do NT conhecendo apenas a cultura e a língua helênica clássicas. Além de ser o grego comum (coinê), o grego neotestamentário é também um grego semitizado, ou seja, muito influenciado pela cultura e pensamento hebraicos. Somente com o conhecimento da história da cultura e das línguas bíblicas poderemos conhecer o significado das palavras da Bíblia. Isso nos ajudará a não dar a esses termos um significado não pretendido pelo autor original.

– O fator literário

O estudo aprofundado das Escrituras comprova que não podemos considerar o texto bíblico homogêneo do ponto de vista literário. Cada autor usa certos termos de maneira específica. Nem sempre a mesma palavra é usada no mesmo sentido em todos os autores. Cada autor bíblico escreve com ênfases teológicas específicas, para uma audiência determinada, num contexto histórico particular. Uma avaliação da terminologia usada por Lucas, por João e por Paulo mostra que cada um deles possui particularidades linguísticas e teológicas que precisam ser consideradas numa tradução bíblica. Além disso, é preciso enfatizar que os diversos autores bíblicos escreveram em estilos literários distintos.

A poesia hebraica, por exemplo, não se caracteriza por rima, mas sim por paralelismos. Há construções poéticas como inversões, quiasmos, acrósticos alfabéticos, aliterações etc., que dificilmente podem ser recuperadas plenamente numa tradução. Além disso, temos o problema das expressões idiomáticas e figuras de linguagem. Metáforas, símiles, sinédoques, metonímias são usadas amplamente na Bíblia. Algumas dessas figuras, se traduzidas literalmente, podem não comunicar nada ou até expressar uma ideia errada. Vale a pena citar aqui alguns exemplos:

Em Gênesis 34:30, o hebraico diz:
“E disse Jacó a Simeão e a Levi: Vocês me trouxeram problemas, ao fazer-me cheirar mal entre os moradores da terra”.
Cheirar mal é uma expressão que significa odiar. O sentido aqui é atrair o ódio dos moradores da terra (região).

Em Salmos 41:9, o hebraico diz:

“Até o meu melhor amigo (homem da minha paz), em quem eu confiava e que partilhava do meu pão, levantou contra mim o seu calcanhar”.
O significado de levantar o calcanhar contra é voltar-se contra.

4. A Peculiaridade das Línguas Bíblicas

Quando alguém tentar traduzir um livro do francês ou do inglês para o português terá uma tarefa não muito difícil. As três línguas são indo-europeias, sendo muito semelhantes em estrutura e em vocabulário. Até mesmo o inglês, língua germânica, tem cerca de metade do vocabulário formado de palavras de origem latina. Quando alguém lê uma obra erudita em inglês, por exemplo, descobre que a proporção é ainda maior, pois os termos gregos e latinos são a base do vocabulário científico e erudito de muitas línguas europeias, mesmo de muitas que não são classificadas como neolatinas. Todavia, quando se faz uma tradução do grego bíblico e do hebraico (ou do aramaico) para o português, a tarefa é muito mais difícil, pois a diferença cultural e linguística é muito grande.

A dificuldade começa pelo vocabulário das línguas bíblicas. Os vocábulos muitas vezes não possuem correspondentes adequados em português. O campo semântico das palavras é muito particular e até mesmo estranho. Especialmente no caso do hebraico, as palavras dessa língua semítica expressam conceitos bastante concretos. Ideias abstratas são raras. A expressão “fazer uma aliança”, por exemplo, é literalmente “cortar uma aliança” em hebraico. É por essa razão que é impossível fazer uma tradução totalmente literal da Bíblia. Muitas frases não teriam sentido em português.

Uma das palavras muito importantes do AT, por exemplo, é o termo “sheol”, traduzido por “hades” no grego do NT. Em algumas versões antigas, a palavra foi traduzida por inferno em quase todos os versos onde aparece. Sem dúvida, a tradução uniforme do termo não é adequada. Sheol se refere ao “mundo dos mortos”, e, em muitos contextos, fala de modo concreto da sepultura. Assim sheol (hades) pode ser traduzido, dependendo do contexto, por palavras diferentes. As possibilidades são: profundezas, morte, sepultura, mundo dos mortos e inferno.

No caso do hebraico, uma característica interessante da língua é o seu aspecto conciso. A antiga língua dos hebreus usava poucas palavras para dizer muito. Os verbos de ligação são dispensados, os pronomes pessoais estão embutidos na maioria das formas verbais e algumas preposições e sufixos de posse aparecem anexadas aos substantivos. Um exemplo disso pode ser visto no Salmo 15:2. O texto hebraico diz literalmente (sete palavras):
“Andante integramente e praticante (da) justiça e falante (da) verdade no seu coração”.
Como se vê, é muito difícil entender o sentido do texto, traduzido aqui bem literalmente. Depois de traduzido adequadamente (19 palavras em português), o texto fica assim:
“Aquele que é íntegro em sua conduta e pratica o que é justo, que de coração fala a verdade”.
Outra questão é o verbo do grego e do hebraico. Estamos acostumados com a ideia de tempo verbal em português. Para muitos é surpreendente descobrir que o que caracteriza o verbo no grego e no hebraico não é principalmente o tempo do verbo, mas sim o seu aspecto. Em hebraico, por exemplo, importa mais se a ação é acabada ou não do que o tempo do verbo. Em muitas passagens bíblicas somente o contexto determinará se o verbo será traduzido no futuro, no presente ou no passado. O grego conhece formas verbais peculiares e muitas vezes difíceis de serem traduzidas adequadamente. Entre elas destacam-se o aoristo, o modo optativo e a voz média do verbo.

Finalmente, precisamos destacar a grande diferença entre a estrutura sintática das línguas bíblicas e a do português. A ordem comum da frase hebraica, por exemplo, é inversa: começa com o verbo e depois traz o sujeito. As conjunções que intermedeiam palavras e orações possuem funções sintáticas muito diversificadas e podem ser traduzidas de maneira distintas. Os tradutores terão de descobrir se uma determinada conjunção está sendo usada de modo enfático, explicativo, recitativo, condicional etc. Isso exige um estudo minucioso. Somente o estudo de sintaxe de hebraico e de grego poderá revelar a complexidade dessas diferenças.

Conclusão

Diante dessa realidade linguística e do legado que a Reforma deu início, cremos que já é possível ter uma ideia razoável da complexidade da tarefa de tradução da Bíblia.

Estamos certos de que esse artigo nos ajuda a entender o valor e a importância da tradução da Bíblia. Portanto, cada um de nós deve:
Agradecer a Deus o fato de termos a Palavra de Deus disponível em tantas línguas modernas, principalmente em português.
Agradecer a Deus pelos esforços da Reforma, principalmente de Lutero, que abençoaram o mundo com as Escrituras.
Valorizar esse importante ministério e orar pelos milhares de tradutores que trabalham em todo o mundo nessa obra tão importante.
Ser mais flexível e humilde, entendendo que a dificuldade dessa tarefa comprova que toda tradução é imperfeita.
Descobrir que as dificuldades bíblicas não devem abalar nossa fé; ao contrário, descobrimos que Deus é sábio e maior do que nós. A Palavra de Deus é mais profunda e rica do que imaginamos.


https://pleno.news/colunas/luiz-sayao/a-traducao-da-biblia-a-heranca-da-reforma.html

15 de setembro de 2017

Como o Ministério Pode te Tornar Orgulhoso

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Por Timothy Keller


Eu tenho servido como ministro ordenado por 42 anos. Muitos dos que começaram comigo não chegaram à linha final. O percentual é doloroso. Uma das razões principais de muitos não terem durado, eu penso, é porque ninguém os alertou sobre as maneiras como o ministério pode te tentar com orgulho.

É nessa área que as palavras de Paulo em 2 Coríntios 12.7-10 têm sido tão úteis para mim como pastor. Paulo – o próprio Apóstolo treinado em teologia e para o ministério pelo próprio Cristo ressurreto – nos alerta para o fato de que o treinamento teológico e a vida no ministério podem nos levar ao orgulho se falharmos em cooperar com a intervenção graciosa de Cristo.

Aqui estão as três maneiras como o ministério pode te tornar orgulhoso sem a intervenção de Deus. Pastores, sintam-se alertados.
1. Conhecimento Teológico Pode te Tornar Esnobe
Primeiro, a soberba do conhecimento teológico. Alguns em Corinto tinham o conhecimento teológico correto sobre as carnes oferecidas aos ídolos, mas a que este conhecimento os levou? A se tornarem esnobes. Ele está dizendo algo muito simples aqui. Conhecer a verdade carrega uma tendência de se inflar. Você se torna focado em si mesmo, orgulhoso de seu conhecimento e percepção. O amor, por outro lado, leva ao auto esvaziamento.
Martyn Lloyd-Jones colocou desta forma:
Sempre que você permite que seu relacionamento com a verdade se torne puramente teórico e acadêmico, você estará caindo na teia de Satanás… No momento em que, em seu estudo, você para de se colocar sob o poder da verdade, você se tornou uma vítima do Diabo. Se você pode estudar a Bíblia sem ser examinado, vasculhado e humilhado, sem ser levado à adoração a Deus, ou movido com tristeza pelo que Deus suportou por você, ou sem ficar maravilhado com a beleza e sabedoria do que Cristo fez por você, se você não sente tanto desejo de cantar quando você está estudando a Bíblia sozinho quanto quando você está no púlpito, você está em perigo. E você sempre deveria sentir algo neste poder.
Lloyd-Jones prossegue identificando as marcas de alguém que aprendeu a dominar a Bíblia como um conjunto de informações, não como poder extraordinário. Uma marca é se tornar um rabugento espiritual. Um rabugento espiritual é alguém que está sempre reclamando e discutindo detalhes de distinções teológicas, sempre denunciando com discussões as traduções da Bíblia ou denunciando pessoas por estarem do lado errado da última controvérsia teológica. Um rabugento espiritual trata a Palavra de Deus como algo que você usa, não como algo que usa você. Ele é inflado por seu orgulho intelectual e por sua tribo teológica.
2. O Ministério Pode se Tornar Uma Identidade Falsa
O segundo engano vem de uma falsa identidade criada no ministério. Você tenderá a se identificar tão pessoalmente com seu ministério que o sucesso dele (ou a falta de sucesso) se tornará o SEU sucesso (ou falta de sucesso). Uma vez que você comece a se identificar desta forma, você criará uma falsa identidade baseada em sua performance como ministro.

Este tipo de falsa identidade pode se manifestar de quatro formas:

I. Sucesso
Você edifica uma falsa identidade baseada em circunstâncias ou performance. Você vai à igreja todos os Domingos. Você diz que é um Cristão. Você tem três casas. Você parece ser bem-sucedido, e esta é a sua identidade. Mas agora parece que você pode perder a sua carreira ou a sua riqueza. Então você pensa, “eu não posso deixar que isso aconteça” E mesmo sendo um cristão você engana, você trai, você usa pessoas. Você diminui pessoas e destrói a carreira delas para se manter onde você está.
Todo cristão luta contra uma falsa identidade. Todo não-cristão possui uma falsa identidade. Nós que estamos no ministério em tempo integral acabamos lidando com o ferrão do sucesso de uma forma ou de outra. Quando as pessoas vêm à igreja, você sentirá que elas estão te afirmando, quando as pessoas deixam a igreja, você irá sentir como se fosse um ataque pessoal.

II. Críticas
Se seu ministério se tornar a sua falsa identidade, você não saberá lidar com críticas. As críticas virão e serão tão traumáticas porque questionarão a sua qualidade como pastor. Críticos dirão: “Sabe, suas pregações não são muito boas… queria que meu pregador fosse melhor.” Você as receberá como um ataque pessoal. As críticas te devastarão ou você simplesmente irá ignorá-las e não crescerá com elas.

III. Covardia
Se o seu ministério se tornar a sua falsa identidade, você sucumbirá à covardia. Existem dois tipos de covardia. Existe a verdadeira covardia – estar com medo de lidar com as situações ou de ofender as pessoas que dão a maior quantidade de dinheiro à igreja ou de pregar uma mensagem que fará com que os jovens deixem a igreja. Esta é a covardia verdadeira.
Mas existe um outro tipo de covardia que eu chamo de covardia disfarçada. Esta é a covardia de ser duro demais, bélico demais e então dizer: “Vejam, eu sou um valente pela verdade.”. Isto também vem de um coração que busca sua identidade no ministério. Esta pessoa não se define por quem ela é em Cristo, mas sim no ministério.

IV. Comparações
Um último sinal de que você caiu em uma falsa identidade é que você não consegue evitar as comparações. Você fica com inveja quando outros, que você pensa não trabalharem tão duro quanto você ou não serem tão teologicamente astutos quanto você, estão sendo bem-sucedidos.
3. O Ministério Pode te Fazer Focar Mais nas Aparências
Quando você fala às pessoas sobre Deus, você tem duas opções: comungar com Deus ou agir como se você comungasse com Deus. Visto que o trabalho do ministro é mostrar quão grande Deus é e quão maravilhosa a vida cristã pode ser, a vida dele precisa refletir isso. Então, ou você estará perto Deus ao ministrar ou você terá que agir como se estivesse perto de Deus. Ou você realmente aprende a se relacionar com Deus ou você aprende a fingir que se relaciona. Você fala como se fosse bem mais próximo de Deus do que você de fato é. E não apenas as pessoas começam a pensar que você é próximo de Deus, você também começa a se convencer disto. Isto pode ser devastador para o seu coração.

Na última noite dos discípulos com Jesus, ele disse que um deles o trairia (João 13.21). É interessante considerar como os discípulos responderam. Todos eles olharam para o lado e perguntaram quem seria o traidor. De fato, mesmo depois de Jesus dizer que seria aquele a quem Ele daria o pão, eles ainda não entenderam. Você sabe por que? Porque Judas não aparentava ser, em nada, diferente deles. Por fora, ele era um ministro eficaz, mas por dentro, não havia nada. Ele cuidou de sua vida externa mais do que de sua vida interna. Jonathan Edwards, em seu ótimo livro “Caridade e seus frutos”, fala sobre o fato de que Deus usou Judas mesmo sem que ele fosse salvo. Não queremos que este seja o nosso legado no ministério.

Mas é aqui que a hipocrisia começa. O ministério fará de você um cristão muito melhor ou um cristão muito pior do que você seria se não estivesse no ministério. O ministério te fará ser um hipócrita farisaico ou fará de você uma pessoa mais mansa, amorosa e cuidadosa porque te levará ao trono da graça do Senhor para clamar por ajuda em suas fraquezas. Ou o ministério te levará a Ele ou te levará para longe dEle. Como Judas, escolha você de qual vida você cuidará, a externa ou a interna.
Supere Seu Orgulho
Então, como você supera tudo isso?
Lembre-se da situação de Paulo em 2 Coríntios. Ele estava enfrentando falsos apóstolos e mestres que estavam dizendo que ele não tinha as credenciais para ser um verdadeiro apóstolo. Paulo contradiz dizendo que ele tem sim as credenciais – mas não o tipo de credenciais que esperaríamos. Ele inverte todas as categorias. Ao invés de se orgulhar em seu conhecimento teológico, vasto sucesso ministerial, ou vida exterior que seria padrão de perfeição, ele se orgulha em seus insultos, dificuldades, em ter sido expulso de cidades. É assim que ele argumenta que Deus está a seu favor. Ele nos diz que devemos olhar para todas as coisas que Deus fez a fim de levá-lo a ficar de joelhos.

Pastor, considere todas as coisas que Deus tem feito para quebrar seu orgulho. Veja todas as formas pelas quais ele tem te levado a perceber sua pequenez para que você possa se agarrar a ele com mais força. Que todos os seus fracassos, desapontamentos e fraquezas te levem ao amor de Deus como um martelo leva um prego ao coração da madeira. Você só se tornará um verdadeiro ministro quando você aceitar e abraçar seus fracassos, desapontamentos e fraquezas e assim chegará à linha final.
 

Traduzido por Filipe Niel
Postado originalmente em thegospelcoalition


13 de setembro de 2017

Você é "De Lua?"


 
 
Normalmente, uma pessoa definida como sendo "de lua" é aquela que muda de opinião ou de humor com muita facilidade. É considerada também, aquela que sempre está contra a opinião dos demais. Muitas são as pessoas que se consideram ou são consideradas "de lua", e se orgulham disso!

Mas será que ser uma pessoa "de lua" é motivo para orgulho?

A lua é um astro morto. Não há vida nele. Surge com vigor a noite, mas é ofuscado pela luz do sol ao dia.
Tem fases. Às vezes é escuro, às vezes brilha um pouco, às vezes brilha muito, até que desfalece.
Seu brilho não é natural. Ele brilha usando a luz do sol. Todos admiram sua luz, mas na verdade é uma luz virtual.

Assim são as pessoas de lua: São mortas, não há vida nelas. São ofuscados por pessoas que têm luz própria, enquanto elas tem picos de humor. Animam e desanimam, brilham e desfalecem.
Costumam usar do brilho dos outros para aparecerem. Um brilho virtual. Muitos admiram sua luz quando refletem muito brilho, mas logo ele se apaga.

Devemos ser pessoas "de sol"

O sol tem luz própria, é vivo e gera vida. Ele transmite a vida, sem ele não podemos sobreviver.
Devemos ter luz própria e transmitirmos vida, a ponto das pessoas "de lua" usarem de nossa luz para se promoverem.

Jesus disse: "Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte;" Mt: 5:14

Ele quer que sejamos "de sol", e não "de lua".

Não entenda isso como algo mistico, isso é apenas uma exemplificação. Deus quer nos orientar. Siga a direção.

Na fé.
 
 
http://www.pregadoresdoevangelho.com.br/2012/08/voce-e-de-lua.html